Amador do Brasil: Kenji e Lauren são os melhores brasileiros em torneio dominado por estrangeiros

06/07/2019

Cancelamento precipitado da rodada final mostrou-se desnecessário e tirou brilho do evento

Kenji e Lauren: mais uma vez destaques em um torneio do ranking mundial amador de golfe

por | Ricardo Fonseca*

Daniel Kenji Ishii, do Itanhangá, e Lauren Grinberg, do Lago Azul, que ganharam notoriedade como casal de namorados depois de suas vitórias no Honda Open – Aberto Bandeirantes de Golfe, no último domingo, voltaram a brilhar neste sábado, 6 de junho, quando ambos fizeram as melhores voltas entre os atletas da casa para terminar como os melhores brasileiros após a conclusão da segunda e penúltima rodada do 89º Amador do Brasil, no Campo Olímpico de Golfe, no Rio de Janeiro.

A maior competição do país, infelizmente, perdeu muito de seu brilho. O campeonato previsto para quatro dias (72 buracos) foi precipitadamente amputado em uma rodada, ainda no começo da tarde de sexta-feira, decisão que se mostrou claramente desnecessária quando a rodada deste sábado terminou às 14 horas, ainda com mais de três horas de jogo possíveis.

Motivos – Diversos atletas ouvidos por nossa reportagem estranharam muito da suspensão da rodada de sexta-feira, depois de um temporal. A alegação, segundo publicado no site da Confederação Brasileira de Golfe (CBG), que organiza o torneio, é de que a suspensão dos jogos aconteceu por causa de “rajadas de vento fortes, que fizeram as bolas rolarem (sic) nos greens, chuva intensa por períodos prolongados, o que prejudicou a drenagem do campo, além do frio intenso”.

Como se sabe, chuva e frio não são motivos para suspender partidas de golfe, ou o esporte nem teria sequer sido inventado, na Escócia. Drenagem prejudicada também não, a não ser em caso de greens alagados, o que não aconteceu. E segundo todos os que ouvimos, não houve bolas sendo deslocadas nos greens, pelo menos em casos tornados públicos.

Trapalhadas – O que aconteceu é que depois de duas horas ou pouco mais de chuvas fortes, com ventos fortes, na sexta-feira, sem que o jogo fosse interrompido, arruinando os resultados dos que estavam em campo, o jogo foi suspenso definitivamente pelo dia quando as condições do tempo já melhoravam, o que teria permitido duas horas ou mais de jogo. Neste sábado, mesmo com o jogo sendo retomado apenas às 9 horas – as rodada anteriores começaram às 7h20 – todos já haviam terminado os 36 buracos às 14 horas, deixando mais de três horas de jogo possível pela frente.

Não se tentou, ao menos, jogar 72 buracos, apesar de a obrigação de qualquer grande evento de golfe ser cumprir o previsto. O cancelamento da última rodada ainda na sexta-feira foi considerado prematuro por árbitros de grande experiência internacional. Alguns defendiam que se alguma ação devesse ser tomada era o cancelamento da rodada, pois quem jogou foi muito prejudicado.

Inexplicável – A decisão de parar o jogo após o pior da tormenta prejudicou irremediavelmente não só os atletas, mas o evento, que teve ainda decisões pouco usuais, para se dizer o mínimo, como a mudança da composição de alguns grupos do primeiro para o segundo dia, algo impensável em torneios de quatro dias, quando os grupos são mantidos nas rodada iniciais, e a ausência de revezamento de horários de saída entre as trincas para as duas primeiras rodadas. Há quem saiu no primeiro grupo nos dois dias, às 7h20.

Apesar dos ventos mais fortes do que no dia anterior, a rodada de sábado transcorreu normalmente, com os homens, que já estavam todos em campo, terminando sua rodada. Só não funcionou o resultado online, via sistema Blue Golf, pois na sexta-feira não foram feitas as coletas de resultados de muitos nos buracos 4 e 9, e os lançamentos do dia deixaram o placar sem sentido até a conclusão da rodada, no caso do homens. As mulheres ainda estavam no começo da volta e o problema foi corrigido.

Brasileiros – Kenji, que ainda tinha metade da rodada pela frente, sofreu com as condições severas do dia anterior e com o vento deste sábado. Ainda assim jogou 77, seis acima e melhor resultado entre os brasileiros nas melhores colocações, para terminar em quarto lugar, com 149 (72-77) tacadas, três tacadas atrás de três líderes, que somam 146 tacadas: o equatoriano Felipe Garces (75-71), que jogou o par do campo, melhor resultado do dia, e os argentinos Leandro Correa (73-73) e Juan Ignacio Noba (70 -76).

Gui Grinberg, do São Paulo GC, irmão mais novo de Lauren, vem como o segundo melhor brasileiro, em sétimo lugar, com 151 (72-79) tacadas. A seguir, empatados em nono, com 152, estão Fred Biondi (74-78), da Universidade da Flórida, e Andrey Xavier (71-81), do Belém Novo. Thomas Choi, do São Paulo, vem logo atrás, em 12º, com 153 (76-77). A melhor segunda volta entre os brasileiros foi do paranaense Daniel Celestino, 24º colocado com 159 (84-75).

Na disputa da Taça Mario Gonzalez, internacional de duplas, a Argentina disparou na frente com 292 tacadas, seguida por Equador, com 296. O Brasil vem em terceiro, com 304, 12 tacadas atrás da Argentina, que caminha para conquistar seu quinto título e o quarto consecutivo. Com uma rodada a menos, ficou difícil para o Brasil de Andrey Xavier e Fred Biondi, busca essa diferença.

Feminino – No feminino, Lauren, que tinha jogado apenas um buraco, com par, quando o jogo foi suspenso na sexta-feira, marcou 72, uma acima, e melhor resultado de todo o torneio feminino, para ganhar 14 posições e chegar a sétimo lugar, como a melhor brasileira, com 153 (81-72) tacadas. A paraguaia Maria Fernanda Escauriza se isolou na liderança, com 147 (73-74), agora seguida de perto pela venezuelana Valentina Gilly, com 148 (73-75) e pela argentina Agustina Gomez Cisterna (74-75) e pela colombiana Silvia Garces (75-74), que dividem o terceiro lugar, com 149.

Nina Rissi, que mora na Espanha, é a segunda melhor do Brasil, em 16º, com 158 (78-80) tacadas, seguida por Meilin Hoshino, do São Paulo, com 168 (82-86), e por Beatriz Junqueira, do Itanhangá, com 170 (87-83). Há apenas oito brasileiras no torneio. A coreana Isu Choi, de 14 anos, do Terras de São José GC, uma das líderes do primeiro dia, caiu para 20º lugar, com 161 (73-88) tacadas.

Na disputa da inaugural Taça Beth Nickhorn, o Brasil de Lauren e Nina ganhou cinco posições para ficar em terceiro, com 311 tacadas. Ainda assim muito atrás da líder Venezuela, que soma 298, seguida pela Argentina, com 308.

* As reportagens assinadas refletem a opinião dos articulistas, e não necessariamente a do Portal Brasileiro do Golfe.

  • Onde Jogar

    Como chegar. Dicas de hospedagem e alimentação. Preços e serviços

  • Turismo

    Você só tem até esta 2ª feira, 3 de junho, para se inscrever no Sul-Americano Sênior

  • Golfe 2016

    Jogos do Rio 2016: seis medalhas para seis países diferentes coroam o sucesso do golfe olímpico


  • Newsletter

    Golfe.esp.br - O Portal Brasileiro do Golfe

    © Copyright 2009 - 2014 Golfe.esp.br. Todos os direitos reservados