Com a conquista de seu 15º major, Tiger Woods já ameaça os três maiores recordes do golfe

15/04/2019

História de superação faz desta uma das temporadas mais importantes de todos os tempos

Tiger: primeiro major ganho de virada e comemoração como nunca vista. Imagem: reprodução TV

por | Ricardo Fonseca

Até este domingo, 14 de abril, os filhos de Tiger Woods – a menina Sam Alexis, de 11 anos, e o menino Charlie Axel, 10 – só haviam visto o pai vencer um major em vídeos do YouTube. Agora são os meus, os seus filhos e netos, que irão ver o vídeo do Masters 2019 na internet e falar da conquista do 15º major de Tiger Woods por muitos e muitos anos. Um título que devolve o golfe ao centro das atenções dos esportes graças a uma história de superação – física e emocional – jamais vista, no alto rendimento, em nenhuma outra modalidade.

Ver a camisa vermelha coberta pelo verde da jaqueta símbolo do campeão do Augusta National pela quinta vez, 14 anos depois do último Masters ganho por Tiger Woods, terá desdobramentos ainda imensuráveis. Tiger já havia provado que podia voltar a vencer com o título do Tour Championship, mas era um evento para apenas para os 30 melhores jogadores que atuam nos EUA. Agora provou que pode voltar a vencer majors enfrentando todos os melhores do mundo, a grande maioria deles de uma geração que ele inspirou e que o tem como ídolo, muito mais do que como adversário.

Homem x Esportista – Há quem ainda torça o nariz ao ver Tiger comparado aos grandes senhores do golfe, como Jack Nicklaus, Arnold Palmer ou Gary Player. Afinal, os escândalos sexuais deixaram uma nódoa, indelével para muitos, em seu caráter. Mas mesmo os que ainda separam o homem do esportista têm que se render à história de superação que fez o segundo maior campeão do golfe de todos os tempos, ameaçado de sequer voltar a andar direito, a ser novamente vencedor, e no mais alto nível do golfe mundial.

Tiger mal havia acabado de vencer seu 14º major, no US Open de 2008, num playoff de 18 buracos que jogou com uma fratura na tíbia, quando teve que passar por quatro cirurgias para reconstruir o joelho esquerdo destruído pelo abuso nos treinos e pela violência do swing. E ele ainda se recuperava do joelho quando uma dezena de casos extraconjugais tornados públicos, um após o outro, destruíram seu casamento e o levaram ao pior momento de sua vida, que foi do acidente de carro, ao fugir da mulher enfurecida, à sua prisão por suposta embriaguês, sem poder caminhar ou falar coisa com coisa, que, descobriu-se depois, se devia ao uso de medicações fortes, não de álcool.

Woods tentava deixar tudo isso para trás quando vieram mais quatro cirurgias, desta vez nas costas, a última delas uma tentativa desesperada de quem mal podia andar, quanto mais jogar golfe. Eram tempos em que seu nome deixara o noticiário para dar lugar a dezenas de novos ídolos que aprenderam com Tiger Woods a se tornar cada vez mais fortes e bem preparados para vencer. Só faltou alguém tão obcecado pelas conquistas como Woods, a ponto de deixar tudo o mais vida para trás, em busca de recordes inimagináveis para outros. E esse alguém ainda não apareceu.

Recordes – Tiger voltou, e com ele a ameaça a três dos maiores recordes do golfe mundial. Até 2008, quando desmilinguiram-se o homem e o esportista, contava-se nos dedos o pouco que faltava para Tiger se tornar o maior ganhador da história do PGA Tour, o maior ganhador de majors e o jogador com mais Grand Slams completados na carreira. Agora, é inacreditável como esses recordes, novamente na alça de mira de Tiger Woods, parecem tão frágeis, podendo cair em dias, semanas ou meses.

O Masters 2019 foi o 81º título do PGA Tour de Tiger Woods, em 24 anos de carreira. Agora falta apenas uma vitória para igualar – e duas para superar – a marca de 82 títulos que Sam Snead (1912–2002) estabeleceu em 1965, quando ganhou seu último torneio. Os 73 títulos de Jack Nicklaus já tinham ficado para trás, desde 2012. As marcas de 64 vitórias de Ben Hogan (1912–1997) e 62 de Arnold Palmer (1929–2016) foram superadas por Tiger bem antes, em 2008.

Majors – Mas o principal é o recorde dos 18 majors de Jack Nicklaus, lista que Tiger tinha num papel grudado ao lado de sua cama, desde criança. Agora, 15 já foram e restam três para igualar – e quatro para superar – a marca do ídolo de infância de Tiger. O Masters foi o primeiro major do ano, e os que vêm pela frente parecem agora muito mais factíveis de serem vencidos por Tiger, que pôs fim a um jejum de 28 majors em 11 anos, sem vencer. E até Nicklaus, que torceu muito por Tiger, acredita que sua marca pode ser superada em breve.

“Os próximos dois majors são em Bethpage, onde ele já venceu, e em Pebble Beach, onde ele também já venceu”, lembrou Nicklaus na noite de domingo, no Golf Channel. Com a mudança na ordem dos majors, o PGA Championship passou de quarto a segundo do ano, de 16 a 19 de maio, no Bethpage Black. Tiger vai lá em busca de seu quinto título e 16º major.

Grand Slam – Mas são dois majors finais do ano que tornam as coisas muito mais interessantes. Tiger tem três títulos do US Open (13 a 16 de junho, em Pebble Beach) e três do British Open (18 a 21, Royal Portrush). Uma vitória em cada e ele terá completado quatro vezes o Grand Slam na carreira. Nicklaus parou em três Grand Slams, pois “só” venceu o British Open três vezes (tem seis Masters, quatro US Opens e cinco PGA Championships).

Com vitórias nesses dois majors num futuro breve, Tiger deixaria para trás a dúvida de quem foi o maior golfistas da história. Pelé x Maradona é uma questão de opinião e de geografia. Tiger x Nicklaus, uma questão de época, mas sobretudo de números. E, contra números, os melhores argumentos ficam mais frágeis do que o Old Course num British Open em dia sem vento.

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