Especial – Seis é o novo número mágico do golfe, com a disputa do Super 6 e a criação do GolfSixes

15/02/2017

Inovadores torneios desta semana, em Perth, e de maio, em Londres, antecipam revolução no esporte

 

Logotipos do GolfSixes e do Super 6: torneios de seis buracos viram realidade valendo para os maiores circuitos do mundo e para o ranking mundial

por Ricardo Fonseca

Esqueça 59. O novo número mágico do golfe é o 6! A onda começou ainda em 2010, quando seis países – França, Alemanha, Holanda, Portugal, Espanha e Suécia – decidiram concorrer para sediar a Ryder Cup de 2018. Ganhou a França, com a promessa de construir 100 campos de golfe de seis buracos cada na Grande Paris e o objetivo de estancar a sangria entre os praticantes do esporte que, nos tempos modernos, não dispõe mais de um dia inteiro – ou sequer de meio período – para se dedicar ao golfe.

Seis buracos se jogam em uma hora e meia, o suficiente para se divertir, tirar handicap e não perder a família, esposas e amigos que – ainda – não jogam golfe. Mais do que uma proposta ousada, a França nada mais fez do que seguir uma tendência cada vez mais forte de mudar o paradigma dos 18 buracos. Hoje, uma grande quantidade de novos campos de golfe tradicionais, pela Europa e em muitos outros países, em vez de duas voltas de nove buracos, estão sendo construídos com três volta de seis buracos, cada uma delas começando e terminando em frente à sede. Quem puder joga 18. Os demais podem optar por 12 ou seis buracos. Ainda é golfe.

Saiu do papel – O Tour Europeu, junto com seu maior parceiro, o Tour Asiático, e ainda o Tour da Australásia, resolveram ir além nesse conceito e criar uma novo modelo de torneios de seis buracos: o World Super 6 Perth, que vai ser jogado de quinta a domingo desta semana, 16 a 19 de fevereiro, com uma fórmula tão inovadora que está dando muito que falar. E, acredite, vale como torneio oficial dos três circuitos e para o ranking mundial! Ainda não é um torneio totalmente jogado em seis buracos, só a volta final, domingo, após dois cortes (36 e 54 buracos), quando os 24 sobreviventes irão jogar match plays eliminatórios de seis buracos.

Serão quatro rodadas seguidas de seis buracos cada, até se determinar  o campeão. Haverá também disputa de terceiro e quarto lugares para os perdedores das semifinais. E os que perderam nas quartas-de-final jogam entre si para determinar as classificações do quinto ao oitavo lugar. Os oito primeiros dos 24 finalistas ficam “bye” na primeira rodada do match play do domingo. Eles só entram na segunda rodada, enfrentando os oito ganhadores da rodada inicial. Entendeu? Parece complicado, mas não é e, imagine na tevê… promete ser um espetáculo.

Interesse – Um torneio cheio de novidades, misto de stroke play com match play, co-sancionado por três circuitos e premiação de US$ 1,34 milhões, que não é lá atraente para o circuito mundial, e ainda mais na Austrália, que é fora de mão para muita gente, até que conseguiu atrair jogadores interessantes, a começar pelo sueco Alex Noren, número 11 do ranking mundial de golfe – acho que poucos o conhecem e nem sabem disso, mas ele ganhou três dos últimos dez – e quatro dos últimos 14 torneios – do Tour Europeu que disputou e ficou em 12º no HSBC Champions, da série mundial, em novembro.

O sul-africano Louis Oosthuizen, 25º do mundo, com um título de major e três vices, dois deles em 2015, é mais conhecido e também estará lá, ao lado do japonês Hideto Tanihara, campeão de 14 torneios do Tour Japonês e de um grupo que reúne 17 dos Top 200 do mundo, entre eles o americano Peter Uihlein, aquele que venceu o US Amateur de 2010 no dia que completou 21 anos.

GolfSixes – Mas o Tour Europeu não ficou por aí. Nesta mesma semana do Super 6, confirmou a criação do GolfSixes, torneio que será jogado dias 6 e 7 de maio, um final de semana, no Centurion Club, em Londres. Esse sim terá apenas rodadas de seis buracos, entre duplas de 16 países, formadas por um jogador com cartão do Tour Europeu, que poderá escolher seu parceiro, desde que ele tenha algum status no circuito.

O primeiro dia será de todos contra todos, com quatro grupos de quatro duplas cada – inspirado na fase de grupos da  UEFA Champions League – indo a campo para jogar umas contra as outras, ou seja, cada dupla enfrenta outras três ao mesmo tempo. Grupos de oito, você entendeu bem. As duas melhores duplas de cada grupo – oito ao todo – voltam a campo no segundo dia para jogar a fase eliminatória em quartas-de-final, semifinal e final (além da disputa de terceiro lugar). Ou seja, três rodadas de seis buracos cada. O formato do GolfSixes é o “Greensome Match Play”, onde se escolhe o melhor drive da dupla e, a partir dele, se joga em tacadas alternadas.

Festa – E não é só! Durante os dois dias do GolfSixes haverá música, shows pirotécnicos e interação dos jogadores com o público que for ao campo de Londres. O Tour Europeu já avisou – mas não confirmou ainda – que vai liberar o dress code dos profissionais, que poderão jogar de bermudas, camisa para fora, bonés com a aba para trás e até ouvindo música.

O maestro dessas mudanças é o canadense Keith Pelley, que assumiu o cargo de executivo-chefe do Tour Europeu com o objetivo – e a missão  – de trazer o golfe para o século 21. “O golfe tem que se modernizar e introduzir novos formatos”, diz o dirigente.  “Queremos aproximar o golfe dos “millenials” e acreditamos que este formato conseguirá isso”, justifica. “As pessoas tem que entender que estamos num negócio de entretenimento como outro qualquer e que o golfe é a nossa plataforma”.

X, Y e Z – “Millenials” – só para recordar – é o nome dado à “geração do milênio” ou “geração da internet”, ou ainda “geração Y”, que reuniria, mais ou menos, todos os que estavam perto da maioridade na virada do milênio. Grosso modo, os nascidos após 1980, até meados dos anos 90. Fica faltando agora o golfe falar diretamente com a “geração Z”, esses que nasceram próximos da virada do século ou já no século 21. Mas essa é outra história.

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