Golfe 2016: A verdade sobre os jogadores de dupla nacionalidade para os Jogos do Rio

01/03/2016

Rory McIlroy jogará pela Irlanda e Miriam Nagl pelo Brasil. Há 17 meses é assim e não há mais como mudar. Entenda!

 

McIlroy, irlandês de carteirinha desde 7 de juho de 2014. Norte-irlandês não vai defender a Grã Bretanha no Rio, e sim a Irlanda

por Ricardo Fonseca

Um amigo que até acompanha golfe com frequência, perguntou-me esta semana se eu apostava que Rory McIlroy defenderia a Grã Bretanha ou a Irlanda na volta do golfe aos Jogos do Rio 2016. Confesso que fiquei perplexo por ele ainda ter dúvidas nessa altura do campeonato. Perguntei de onde ele tinha tirado essa ideia, e me disse que ouviu uma longa discussão entre narrador e comentarista na tevê, na última semana, tecendo considerações intermináveis sobre quem McIlroy poderia colocar ou tirar dos Jogos do Rio se optasse por uma ou outra nacionalidade.

Leia, abaixo da reportagem, em “Veja Também”, as reportagens da época sobre o assunto

Expliquei a meu amigo que essa discussão era pura bobagem e desinformação, que isso foi decidido há mais de um ano e meio, em julho de 2014, que não pode mais mudar mais desde então, e detalhei como funcionou o processo de escolha da nacionalidade. Quem acompanha o golfe profissionalmente sabe disso. Mas como outros podem ter ou ficado com essa dúvida após tanta desinformação, volto ao tema.

Opção dois anos antes – Exatamente para que os jogadores com dupla nacionalidade não pudessem usar sua condição como uma vantagem, decidindo conforme a conveniência do ranking do momento a que país defender caso se sentissem ameaçados, a Federação Internacional de Golfe (IGF) determinou, no começo de 2014, que antes de começar a corrida olímpica, todos nessa situação precisavam obrigatoriamente fazer sua opção antecipadamente e escolher que país defenderiam.

Como o ranking olímpico vai levar em consideração o ranking mundial e esse é uma média ponderada dos últimos 24 meses corridos, e como a chave olímpica tem que ser definida até 11 de julho de 2016, um mês antes dos Jogos, o death line foi estabelecido exatamente dois anos antes desse prazo, em 7 de julho de 2014. Era a segunda-feira que abria a semana da primeira leva de torneios válidos para o ranking olímpico, que teria sua primeira lista divulgada na segunda-feira seguinte, dia 14.

McIlroy foi o primeiro a definir que jogaria pela Irlanda onde havia pouca gente disputado a vaga, e não a Grã Bretanha. Com isso, ele e Shane Lowry, 23º do mundo, deverão jogar no Rio, deixando fora Padraig Harrington, 130º do ranking. Não há mais irlandeses no topo do ranking. Com isso, McIlroy saiu da disputa pelas vagas britânicas, onde há muitos mais gente na disputa, hoje seis entre os Top 50 do mundo, todos ingleses (Justin Rose, Danny Willett, Andy Sullivan, Paul Casey, Chris Wood e Matthew Fitzpatrick).

Miriam – O mesmo aconteceu com Miriam Nagl, que nasceu no Paraná e morou em Curitiba até 11 anos de idade, antes de se mudar com a família para o país deles, a Alemanha. Miram optou por defender o Brasil em julho de 2014, no mesmo dia que McIlroy, e, apesar de algumas críticas veladas – ou nem tanto – à sua opção, tem o mesmo direito de defender o Brasil que Lucas Lee ou sua irmã Luciane Lee, que têm trajetória parecida, uma vez que são filhos de coreanos nascidos em São Paulo, mudaram para os EUA ainda crianças e só lá foram aprender golfe. Isso para não falar na prima de ambos, Ângela Park, que mesmo falando muito mal o português foi Top 10 do mundo e vice-campeã do US Womens Open defendendo o Brasil, onde só morou por oito anos.

Mais do que isso, Miriam e sei pai, o industrial Michael Nagl, são empresários que empregam muita gente no Brasil através da Berliner Luft, referência mundial em refrigeração industrial, que tem 11 fábricas na Alemanha, Polônia, Áustria, México e Brasil. A antiga fábrica da Berliner Luft, em São Leopoldo (RS) foi substituída no ano passado por uma muito maior, com planta de 22 mil m2 em terreno de 120 mil m2, no Parque Industrial de Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Desinformação – Quando o primeiro ranking olímpico foi lançado, em 14 de julho de 2014, Miriam aparecia nele, como brasileira, classificada por mérito próprio, na 58ª colocação. Ela permaneceu na lista por mérito próprio até abril de 2015 e, depois, na vaga reservada ao país sede, depois que parou de jogar por 11 meses para ter filho. Perdeu o posto de melhor brasileira do ranking para Victoria Lovelady por cinco meses, mas o recuperou a voltou a se classificar por mérito próprio, hoje na 60ª e última colocação, já faz duas semanas. Restam 21 de corrida olímpica.

A desinformação não é privilégio dos brasileiros. Dia 25 de fevereiro, o jornal The Australian, em artigo sobre a disputa entra as duas brasileiras, na qual ouvia apenas Lovelady, publicou a seguinte pérola (“Lovelady was unthreatened as Brazil’s leading player until Nagl, who has dual German and Brazilian citizenship, recently started playing under the Brazilian flag”). Não, Lovelady não foi a melhor brasileira, a não ser por cinco meses dos 17 da corrida olímpica. Não, Miriam não optou recentemente. Optou por defender o Brasil dia 7 de julho de 2014.

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