Masters 2016: erro do árbitro beneficiou amador Bryson DeChambeau no buraco 18

09/04/2016

Situação complexa exigiu aplicação de várias regras, mas a 20-2c foi desrespeitada

 

DeChambeau: ponde de alívio para jogar a quarta tacada foi melhor do que seria se o árbitro não tivesse errado

Uma das lições mais marcantes que aprendi nos cursos de Regras de Golfe que fiz é que existem apenas dois tipos de árbitros: os que já erraram e os que ainda vão errar. O árbitro que atendeu ao grupo do amador Bryson DeChambeau, que era vice-líder do Masters, com três abaixo, quando ele errou dois drives seguidos do tee do buraco 18, para fazer triplo bogey, jogar sua segunda volta no par do campo e cair para o oitavo lugar, certamente pertence ao primeiro grupo.

Vamos aos fatos que exigiram a utilização de várias regras em cascata, todas aplicadas com rapidez e segurança pelo árbitro, sem titubear, mas com um deslize que no final ajudou DeChambeau a bater a quarta tacada mais favorável a ele ao ter alívio de uma área de concessão. DeChambeau provavelmente teria feito o mesmo triplo bogey, já que dificilmente conseguiria de 255 jardas de distância e naquela situação chegar com a quarta no green do par 4, mas teve um ponto de alívio bem melhorado.

Bola Injogável – DeChambeau fazia disparado a melhor volta do dia, com três abaixo, graça a seis birdies, quando errou o drive no 18 pela esquerda. A bola mergulhou numa vegetação densa e, sem opção de drope melhor segundo a Regra 28 – Bola Injogável (dois tacos de onde a bola estava, não mais perto da bandeira, ou para trás, quando quisesse, mantendo a linha de bola para a bandeira) optou pela alternativa restante, a 28-a, procedendo de acordo com o previsto na Regra 27-1 (perda de tacada e distância, voltando o mais próximo possível do ponto de origem – o que vale para qualquer tacada em qualquer lugar do campo), mas com o benefício da Regra 20-5, que no caso de tacadas do tee permite jogar novamente de qualquer lugar do tee box, com o uso de tee, com uma penalidade.

 

No gráfico abaixo, visão aérea do buraco 18, com o locais de onde DeChambeau parou com a primeira e terceira tacadas, e como chegou ao green em cinco. Veja que do lado esquerdo da estrada (3) a visão é bem melhor do que do lado direito, que, como veremos, é de onde ele deveria ter dropado.

caso dechambou

Obstrução Imóvel Temporária – E foi assim que DeChambeau bateu a terceira tacada do tee do 18 e mais uma vez foi parar no mato à esquerda. Desta vez, no entanto, sua bola ficou “jogável” bem perto da parte de trás de uma área de concessão, um local de serviço provisório, que estava entre sua bola e a bandeira. Essa área estava definida como “Obstrução Imóvel Temporária” (TIO, na sigla em inglês), o que dá direito a drope sem penalidade do ponto de alívio mais próximo em que a TIO não obstrua mais a linha do jogador.

Aí a coisa se complicou mais, apesar de o ponto de alívio mais próximo estar claramente à esquerda da TIO, em outra raia. A Regra Local (Apêndix I-A-4b) afirma que um jogador ainda tem interferência se a bola estiver dentro do comprimento de um taco do o ponto onde existe a intervenção. Por essa razão, a terminologia das Regras no procedimento de alívio tem o cuidado de usar “mais do que um taco, ou menos de dois tacos” nessas situações. É por isso também que foram usados dois tees quando DeChambeau mediu um taco de distância do ponto mais próximo onde não existia intervenção. Ele era obrigado então a dropar dentro da distância de um taco, além da medida inicial.

Drope e Redrope – Não acostumado a situações de alívio de TIOs em jogos amadores, DeChambeau dropou pela no intervalo de um taco da primeira vez. O árbitro prontamente exigiu que ele corrigisse o erro de acordo com a Regra 20-6 (bola dropada incorretamente), sem penalidade. Foi que ele fez, agora com a bola tocando o solo no local correto, uma situação em que tudo o que se exige é que a bola não role para mais perto da bandeira ou que role mais de dois tacos de distância, nem volte para a situação que permitiu o drope.

A bola de DeChambeau, como vimos, rolou para o caminho asfaltado à sua esquerda, e foi declarada em jogo pelo árbitro, agora em outra situação de alívio, por ser a estrada uma “Obstrução Imóvel”. O ponto de alívio mais próximo foi corretamente determinado do outro lado, à esquerda da estrada, uma vez que DeChambeau é destro. Desse ponto, o amador teve mais um taco de distância para dropar a bola, não mais perto da bandeira, de acordo com a Regra 24-2b. O amador dropou duas vezes e nas duas a bola voltou para a posição original, na estrada. Assim, de acordo com a Regra 20-2c, o árbitro determinou que ela fosse colocada com a mão no local onde tocou o solo pela primeira vez no segundo drope.

Erro – Tudo estaria perfeito, não fosse um detalhe: ao dropar pela segunda vez – a primeira no local correto, do outro lado, o direito, da estrada, a bola de DeChambeau rolou clara e evidentemente mais de dois tacos. Basta rever o que a tevê mostrou para que não restem dúvidas. Foi aí que o árbitro errou. DeChambeau deveria ter sido pedido para dropar uma segunda vez (terceira, mas segunda válida, como vimos acima) nesse local e como o terreno era inclinado e a bola não pararia mesmo, recolocá-la com a mão no local onde a bola tocaria o solo pela primeira vez nesse segundo drope válido – à direita da estrada.

Na situação em que estava, quanto mais à esquerda, mais visão do green do 18 DeChambeau tinha. De onde ele jogou, à esquerda da estrada, a 255 jardas de distância e visão ainda prejudicada pelo mato à sua direita, tudo o que conseguiu foi colocar a bola antes do green, entrar com a quinta tacada e das dois putts para um triplo bogey. Jogando da direita da estrada, onde era o alívio original, seria uma tacada muito mais difícil, com mais mata à sua frente. Poderia até fazer o mesmo triplo bogey, ou, quem sabe, chegar ao green com a quarta e salvar um bogey, mas a situação seria bem mais desfavorável a ele.

Palavra final – Mas como DeChambeau tudo fez orientado por um árbitro, erro ou não, após executadas as tacadas, ele não pode ser penalizado por ter jogado de lugar errado. O árbitro pode ser até contestado antes de se proceder como ele determina, pedindo a opinião de outro árbitro, mas depois de feita a jogada a palavra e decisão dada pelo árbitro é final e irrecorrível. Não tem STF para apelar.

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