Regras do Golfe: Profissional experiente perde cartão do LPGA Tour por não conhecer Regras

04/11/2019

Ela e parceira a quem pediu conselho foram punidas depois de denunciadas por Christina Kim

Christina Kim: agindo em nome de todas as jogadoras e da ética

por | Ricardo Fonseca

Penalizadas em duas tacadas pela parceira de jogo, Christina Kim, no final da rodada, uma por ter pedido conselho e a outra por ter dado, duas golfistas experientes foram prejudicadas na mais difícil seletiva do golfe mundial, a do LPGA Tour, jogada em oito rodadas, 144 buracos, em Pinehurst, na Carolina do Norte, até este final de semana. O mais curioso é que em vez de reconhecer o erro e a estupidez de não conhecer o básico de sua profissão, ambas preferiram acusar Kim, que nada mais fez do que seguir as Regras de Golfe, não só por penalizar ambas, mas também porque a Regra 1-2a exige que se atue de acordo com as Regras de Golfe, até com possível desclassificação em caso de conluio por fazer vistas grossas ao que determinam as Regras.

Tudo começou quando Dewi Weber, vice-campeã do NCAA Championship de 2016, ia bater no buraco 17, de par 3, o oitavo do grupo no sexto dos oito dias, e Kendall Dye, veterana jogadoras do LPGA Tour e Symetra Tour, perguntou à caddie da primeira o que ela estava batendo. Jacqueline Schram confirmou que era um ferro 8. Ambas ações (pedir e dar ajuda) são classificadas como “Conselho” e punidas com duas tacadas de penalidade pela Regra 10-2a. Weber respondeu pela ação de sua caddie, que para efeito das Regras é como se fosse a própria jogadora.

Pode-se questionar até por que Kim não falou na hora que as duas estavam penalizadas, e só o fez na conferência dos cartões, dez buracos mais tarde. Mas isso é outra questão. Kim poderia alegar que não queria tirar as parceiras de jogo, ou, como acabou fazendo, que não queria iniciar uma distração que tiraria ela própria de sua concentração. Mau-caratismo seria esperar as duas entregar seus cartões e só depois falar, desclassificando ambas. Kim agiu certo e ponto.

Consequências – Isso aconteceu na sexta de oito rodadas, mas, apesar disso, Weber diz perdeu o cartão por causa do incidente. Ela jogou 71 com as duas tacadas de penalidade e terminou a sexta rodada empatada em 37º lugar – estavam em disputa 45 cartões para o LPGA Tour de 2020. Mas Weber e sua caddie dizem que ficaram transtornadas, não comeram e não dormiram bem, e isso levou a golfista a jogar 82 na sétima rodada e sair da briga pelo cartão em definitivo. Muito mimimi.

Pior foi para Dye, a que começou a confusão ao pedir Conselho. Ela chegou ao buraco final da oitava rodada, o 9, de par 3, duas tacadas acima do que precisava para ganhar o cartão. Tentou um hole-in-one, é claro, mas foi na água e se complicou ainda mais. Sem as penalidades da sexta rodada, bastaria fazer o par e teria voltado ao LPGA Tour.

Trapaça – Trapaça fez o destino com Dye. Apesar de a caddie informar o taco (ferro 8), Webe, por acidente, havia puxado da bolsa o ferro 9, não o 8, e ficou curta para o buraco. Dye, achando que ela tinha batido um 8, usou o ferro 7, passou 15 jardas da bandeira e deu três putts. Ou seja, o conselho lhe custou uma tacada porque a adversária usou outro taco sem ela saber e mais as duas de penalidade.

Espera-se que Weber e Dye aproveitem agora para ler o libro das Regras de Golfe, que na nova versão 2019 não é nem tão longo assim. A edição completa em Português tem 240 páginas, com letras grandes muitas ilustrações e índices. Erros como esses não aconteceriam se no dia a dia os golfistas não se costumassem a passar por cima de Regras como essa. Quem nunca viu alguém levantar uma bola “dada” no dia a dia, mas em meio a uma competição de stroke play e pagou por isso?

Confissão – Dye confessou que não conhecia a Regra e disse que, por isso, o que fez não foi uma tentativa de trapacear. A caddie usou o mesmo argumento: “Tenho visto tantos caddies fazer o mesmo que nem pensei duas vezes…” Kim, que terminou em 24º e garantiu o cartão para 2020, garante que está com a consciência tranquila, apesar de críticas que recebeu nas redes sociais a chamando, acredite, de dedo-duro. Kim agiu em nome dela e de mais uma centena de jogadoras em campo. Em nome da decência e daquilo que todo golfista diz se orgulhar por ser um diferencial em seu esporte.

Que tempos os nossos, onde muitos acham que a leis existem para ser cumpridas apenas quando servem ao seus interesses. Não gosta da Lei? É seu direito, trabalhe para que ela seja mudada. Seja a Constituição de seu país ou as Regras de Golfe. Kim fez o correto e deveria servir de exemplo. O LPGA Tour, por sua vez, não perdeu muita coisa.

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