Regras do Golfe: único jogador a derrotar Tiger num playoff faz papelão e é desclassificado

13/11/2019

Billy Mayfair cometeu duas infrações em sete buracos, negou ambas, mas foi desmentido pela tevê

Billy Mayfair em ação. Foto: arquivo pessoal

por: Ricardo Fonseca

Acabo de ganhar uma edição autografada, em português, do “Guia Oficial às Regras do Golfe”, a versão completa, com as Interpretações, de 522 páginas, do árbitro Carlos Gasparian, do Golfe Clube Aretê – Búzios, responsável pela tradução do inglês, com o compromisso de lê-lo por completo. Comecei – talvez pela primeira vez em anos de estudo das Regras, confesso – da página inicial, que agora é “I – Fundamentos do Jogo – Regras 1a 4; Regra 1 – O Jogo, a Conduta do Jogador e as Regras”.

E logo na primeira página está escrito: “O jogador é o responsável por aplicar suas próprias penalidades ao infringir uma Regra, de maneira que não poderá obter qualquer vantagem potencial sobre o adversário em Match-Play ou sobre os demais jogadores no Stroke-Play”. Dito isso, vamos ao que aconteceu no sábado, 2 de novembro, na segunda volta do Invesco QQQ Championship, do PGA Tour Champions, no Sherwood Country Club, na Califórnia, com Billy Mayfair, um jogador que se orgulha de ter sido o único na história a derrotar Tiger Woods nos 12 desempates que o ex número 1 do mundo disputou no PGA Tour.

Polêmicas – Mayfair, campeão do U.S. Amateur de 1987 e de cinco torneios do PGA Tour, que joga no Tour Champions desde 2016, quando completou 50 anos, precisava de um bom resultado para avançar para o Charles Schwab Cup Championship, o torneio final da temporada. Mas depois de jogar 66 na estreia, Mayfair se envolveu em duas embaraçosas e sérias polêmicas sobre Regras que culminaram com sua desclassificação, na manhã da volta final, depois que suas versões sobre os incidentes foram confrontadas com a gravação do Golf Channel, uma transmitida ao vivo, outra apenas gravada.

Mayfair, que posteriormente só deu entrevistas sobre o assunto para Michael Bamberger, do Golf.com, e com seu advogado ao lado, começou a se manter em confusão no buraco 11, um par 5, onde ficou um longo tempo procurando sua bola no mato à esquerda, cena não transmitida ao vivo, mas gravada. Antigamente o jogador tinha 5 minutos para encontrar sua bola; pelas Regras em vigor desde 1º de janeiro de 2019, esse tempo foi diminuído para 3 minutos, contados a partir do momento em que o jogador ou seu caddie iniciam as buscas (Regra 18.2a). Depois desse tempo a bola está perdida e passa a ser a Bola Errada (Regra 6.3c-1).

Tempo de procura – Quando muita gente já procurava pela bola, chegaram os árbitros Tom Carpus e Dean Ryan. Logo depois o caddie encontrou a bola de Mayfair. Perguntado pelo árbitros, Mayfair disse que mandou seu caddie Jeff Johnson ficar de olho no relógio e que o auxiliar encontrou sua bola quando o tempo já se esgotava. Mayfair ainda pediu ao árbitro alívio sem penalidade alegando que a bola estava enterrada no próprio pique na Área Geral (Regra 16-3a), mas o árbitro constatou que nenhuma parte dela estava abaixo do nível do solo e negou. Mayfair bateu dali, fez um duplo bogey-7 e jogo que segue.

Pouco depois, no buraco 17, Mayfair errou o green e sua bola parou dentro da grama alta, num declive entre o green elevado e uma banca. Mayfair foi até a bola com um wedge 60º na mão direita e apoiou o taco logo atrás da bola. A câmara de tevê que mostrava a cena ao vivo flagrou a bola se movendo para baixo e para o lado, uns 10 centímetros. O jogador olhou primeiro para a câmara e depois chamou o árbitro Dean Ryan, que estava perto. A conversa foi gravada e foi ao ar.

Negação – “Minha bola estava aqui”, disse Mayfair para o árbitro, usando o taco para apontar. “Eu estava sobre ela, mas não toquei nela, nem cheguei perto”, disse o jogador. “Tudo bem, não há problema, se você não fez nada para fazer com que ela se movesse”, respondeu Ryan. Mayfair insistiu: “Eu estava com o taco perto, mas não estava no chão”, disse. “Tudo bem então”, respondeu o árbitro. Mayfair jogou dali para o green e deu dois putts para um bogey-4.

No final do jogo, antes da entrega de cartões, Brian Claar, chefe de arbitragem do Tour Champions, perguntou a Mayfair se havia algum problema com o tempo de procura da bola no 11. Ele respondeu que não. Pouco depois Claar foi ao caminhão do Golf Channel e pediu que o árbitro que recebia os cartões mandasse Mayfair encontra-lo lá, antes de entregar o cartão, mas por outra questão. Lá, ambos reviram o tape do buraco 17 e o jogador acabou reconhecendo que provocou o movimento da bola. Quando isso acontece a bola tem que ser recolocada e jogada com uma tacada de penalidade (Regra 9-4a). Se não voltar a bola para local original, passam a ser duas as penalidades (Regra 14-7a). Assim as 4 tacadas de Mayfair viram 6, ele entregou o carão com 76 tacadas e foi embora.

Desclassificação – Na manhã seguinte, Mayfair jogaria às 12h30 com Duffy Waldorf, precisando de um 63 ou algo assim para se classificar para o torneio final da temporada. Mas um voluntário que acompanhava o jogo de Mayfair, procurou Claar ainda no sábado e disse que havia problema com o tempo de procura da bola. Domingo cedo Claar voltou ao caminhão do Golf Channel e pediu para ver o tape do 11, que não fora ao ar. Verificou então que a bola levou algo como 4 minutos e 50 segundo para ser encontrada, desde que o caddie iniciou a busca. Mayfair chegou logo depois do caddie para procurar a bola, mas o tempo já corria desde que o caddie iniciou a busca.

Confrontado com a realidade, Mayfair respondeu que era isso, que tinha cinco minutos para encontrar a bola. Claar respondeu que as Regras haviam mudado e o tempo máximo de procura era de três minutos. “Eu expliquei Mayfair que como excedeu o tempo limite de procura, sua bola de passou a ser uma Bola Perdida (Regra 18-2a-1) e que ao jogar com ela Mayfair deu uma tacada com a Bola Errada. Claar disse que convidou Mayfair a ver o tape com ele, mas o jogador declinou.

Responsabilidade – As Regras não permitem jogar com uma bola que não está em jogo. Uma vez passado o tempo de três minutos, a única alternativa para Mayfair seria repetir a jogada do local original, com penalidade (Regra 14-6). Ao não fazê-lo, ele não terminou o buraco 11. Ao dar a tacada inicial no 12, estava automaticamente desclassificado (Regra 3-3c). Mayfair ainda se defendeu. “Eles (os árbitros) me viram procurando a bola; eles viram o tempo que demorou, eles tinham um cronômetro, eu não”.

O argumento não foi aceito. Você se lembra da frase inicial das Regras do Golfe: “O jogador é o responsável por aplicar suas próprias penalidades ao infringir uma Regra…?” Mayfair disse que em 30 anos de profissionalismo nunca havia sido desclassificado. E que ao ver que causara o movimento da bola, no 17, aceitou a duas tacadas de penalidade. E que queria jogar no domingo, mas entendeu que havia obviamente infringido as Regras e que por isso, “desclassificou a si mesmo”. Que bom que ele acredita nisso.

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