St. Andrews, a fronteira final: onde nenhuma mulher jamais esteve

27/03/2014


Após séculos de machismo, mulheres poderão ser aceitas no clube símbolo do golfe


Votação do R&A para aceitar mulheres pode por fim aos últimos bastiões machistas do golfe mundial
Votação do R&A para aceitar mulheres pode por fim aos últimos bastiões machistas do golfe mundial

O Royal & Ancient Golf Club está pronto para por fim a séculos de discriminação às mulheres e aceitar as primeiras sócias de sua história. A revelação foi feita por Peter Dawson, executivo-chefe do R&A, afirmando que a direção da entidade já se decidiu por aceitar as primeiras mulheres como sócias e que agora o assunto está nas mãos dos sócios do clube, que receberam um comunicado a respeito e votarão sim ou não durante um encontro anual do R&A, dia 18 de setembro deste ano.

Curiosamente, 18 de setembro é também o dia da votação do referendo em que a população local vai decidir se a Escócia deverá ser um país independente do governo do Reino Unido. Ou seja, uma data que poderá se tornar duplamente histórica, primeiro com a independência, depois com a constatação que no século 21 não há mais espaço para a discriminação das mulheres, para os chauvinistas masculinos que consideram o sexo feminino inferior.

Dois terços – “Estou muito feliz por o nosso comitê geral, apoiado por todas as outras comissões, estar recomendando aos membros do clube que recebamops as mulheres como membros do clube no futuro”, disse Dawson, lembrando que para que isso aconteça, a mudança deva ser aprovada pro dois terços dos sócios. “Haverá agora um período de diálogo com os sócios, nos próximos meses, antes da votação em setembro”, explicou.

Dawson diz que o assunto está na pauta desde 1999 e espera que a entidade do clube ligado à entidade que governa o golfe em todo o mundo, menos dos EUA e México (dirigidos pela USGA), tenha o apoio de seus membros. “Não teríamos ido adiante se não sentíssemos que temos uma maioria a favor da mudança”, advertiu o dirigente, sem, contudo, determinar uma data para a admissão da primeira sócia. O R&A normalmente recebe de 30 a 50 novos sócios por ano.

Pressões – O R&A na verdade está reagindo a pressões, como o Augusta National, sede do Masters, sofreu, com boicote de entidades feministas que o obrigaram a conduzir o torneio por dois anos sem ostentar patrocinadores e sob pressão do Congresso, antes de admitir suas duas primeiras sócias. No ano passado, durante o British Open, jogado em Muirfield, da Escócia, outro clube machista, Giles Morgan, executivo responsável pelo marketing e patrocínios do HSBC, patrocinador do torneio, advertiu que sua empresa não se sentia à vontade apoiando um evento num clube que discrimina as mulheres.

Dawson, é claro, não admite que isso tenha influenciado os dirigentes do R&A, mas tem outros pepinos na mão. Além da The Honourable Company of Edinburgh Golfers de Muirfield, outros campos machistas estão no rodízio do British Open, incluindo Royal St. George`s e Royal Troon. Ou seja, é melhor agir agora antes que as coisas se compliquem. Espera-se que agora o R&A pressione esses clubes para que eles mudem sua política machista sob pena de saírem do rodízio das sedes do major mais antigo do golfe mundial.

Incidente – O R&A existe desde 1754 e durante 260 anos jamais admitiu mulheres em seus quadros. Isso provocou algumas saias-justas, como em 1996, quando Judy Bell foi eleita a primeira mulher presidente da USGA. Como mandatária do cargo, ela deveria, como seus dez antecessores, ser convidada para ser membro do R&A, mas não foi. Tudo o que o R&A fez foi abrir uma entrada lateral em seu prédio – de forma a ela não ter que passar pelo vestiário, masculino, em sua entrada – para participar do jantar anual da entidade. Talvez se lhe faça justiça agora, convidando-a oficialmente para ser a primeira mulher sócia do R&A.

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