20/02/2011
Australiano de 29 anos derrotou Couples, de 51, e sobreviveu ao ataque de Singh, de 47

Aaron Baddeley: vitória em Los Angeles promete dar nova vida à carreira do golfista australiano
por: Ricardo Fonseca
Como já havia acontecido com Tom Watson no British Open de 2009, em Turnberry, talvez não chegasse a meia dúzia de pessoas – os jogadores com chances de levar o título – quem não estivesse torcendo por Fred Couples neste domingo, na rodada final do Northern Trust Open, no Riviera CC, ao lado de Los Angeles, na Califórnia. Mas ao contrário do Watson, na época com 59 anos, que só perdeu no playoff para Stewart Cink, Couples, 51 anos, líder desde o segundo dia, caiu antes, a partir do buraco sete, quando entregou três tacadas de uma só vez ao fazer uma duplo bogey, contra birdie do australiano Aaron Baddeley, 29, que assumiria a liderança para não mais largar.
Em alguns dias, ninguém vai se lembrar que Couples terminou em sétimo lugar, a cinco tacadas do campeão, e sim que ele fez uma das apresentações mais memoráveis do ano, aquecendo o coração da torcida sob temperaturas que mal passavam dos 10º C durante toda a semana. Mesmo sem vencer no PGA Tour desde abril de 2003, Couples ainda é unanimidade entre os golfistas e o público, que compareceu uma peso para vê-lo jogar. Pena que quando o PGA Tour abriu os portões para o público que não comprou ingresso pudesse ver de graça a última hora de jogo, Couples já não tinha mais pretensões ao título. Mas nem o bogey no 18, nem a volta de 73 tacadas, a pior das semana, impediu que ele fosse aplaudido de pé e demoradamente por milhares de pessoas.
Novo herói – A merecida reverência a Couples, que venceu quatro torneios do Champions Tour, o circuito para profissionais com mais de 50 anos, em seu ano de estréia, em 2010, só parou na hora de ceder a cena ao outro herói do dia: Baddeley, a quem coube a honra de dar o putt final e saborear, de braços abertos para público, o título que promete tirar sua carreira do limbo aonde mergulhara nos últimos dois anos. Um título incontestável para o único jogador em campo a completar quatro voltas abaixo de 70, somar 12 abaixo e vencer com duas de vantagem sobre Vijay Singh, de quase 48 anos, que esboçou uma reação, mas nunca chegou a ameaçar seriamente o campeão.
Baddeley começou o dia uma tacada à frente de Couples, mas a liderança durou pouco. O veterano campeão de Los Angeles em 1990 e 1992, abriu a volta com três birdies consecutivos, dando a impressão que não mais entregaria o título, no que seria uma grande festa no primeiro dia de céu claro e tempo bom da semana. Mas tudo mudou no buraco 7, que transformou o que poderia ter sido uma das finais mais emocionantes do ano, numa vitória segura para Baddeley.
Derrocada – Couples, que vinha de um bogey bobo no 6, um par 3, onde errou o green pela direita e um putt de dois metros, perdeu-se completamente no buraco seguinte, um par 4 curto, onde bateu o drive para o mato alto à direita, de lá para a banca de esquerda do fairway, e ainda deixou a terceira curta do green. Entrou com a quarta e errou um putt de quatro metros para bogey. Para piorar, Baddeley, que vinha uma tacada atrás, embocou um putt de seis metros de fora do green para fazer birdie e chegar ao tee do 8 vencendo por duas.
O australiano quase devolve a gentileza no 12, um par 4, onde errou a raia, fez um lay up que parou na grama alta, passou o green com a terceira e ainda deu três putts. Mas o australiano teve sangue frio para fazer um birdie logo no buraco seguinte e pares até o final para encerrar um jejum de quatro anos, levar o prêmio de US$ 1,17 milhão e garantir um lugar no Masters. Feito que comemorou abraçado com as duas filinhas e a mulher Richelle, a quem ele, cristão fervoroso, desposou no domingo de Páscoa de 2005.
Ranking mundial – Baddeley, que começou a semana como número 224 do ranking mundial de golfe, não teve essa sorte, mas o vice-campeonato de Vijay Singh, que jogou os mesmos parciais do australiano no final de semana (67 e 69) garantiu ao profissional de Fiji voltar a figurar entre os 50 primeiros do ranking mundial. Não a tempo de se classificar para o Accenture Match Play, que abre a série de campeonatos mundiais na próxima quarta-feira, mas com certeza para o segundo deles, o Cadillac (ex-CA) Championship, de 10 a 13 de março, no Doral.
Há três semanas, Singh, que completa 48 anos nesta terça-feira, ficou fora da lista dos 100 primeiros do mundo pela primeira vez desde que Bush estreou na Casa Branca, e falamos do Bush pai, há 21 anos! Ele deu a volta por cima graças ao novo putter, por mais estranho que seua empunhadura possa parecer, que lhe deu a melhor semana em cima dos greens de toda a sua carreira: 105 putts em 72 buracos, com apenas um siri (três putts).
Troca-troca – O sul-coreano Kevin Na, que saiu da disputa logo no começo do dia, fez um birdie no 17 e salvou o par no 18 para terminar sozinho em terceiro, com nove abaixo, uma atrás de Vijay. Kevin Na, que nasceu na Coréia do Sul, mas joga pelos EUA, pode enfrentar Baddeley, que nasceu nos EUA, mas joga pela Austrália, na Presidents Cup deste ano, só que em times trocados no confronto entre os EUA e o time Internacional, sem a Europa. Vai entender…
David Duval jogou 67 no domingo com apenas um bogey no 18, para conseguir seu primeiro Top 10 do ano e o terceiro dos últimos 12 meses. Sua recuperação não pode ser mais menosprezada. Phil Mickelson, que jogou 68, a melhor volta de uma semana medíocre, pagou o preço ao perder o quarto lugar do ranking mundial para Graeme McDowell, que nem jogou esta semana. E por pouco não perde também a quinta posição para Paul Casey, ainda seis do mundo, que terminou em 12º.
Jogo lento – O ponto negativo do torneio foi o jogo lento, que mais uma vez o PGA Tour deixou correr solto, sem acionar cronômetros para ninguém, nem mesmo quando havia mais de um buraco aberto entre o pelotão e o grupo da frente, no final da primeira metade do campo. Resultado: 5 horas e 17 minutos de jogo. Nick Faldo, comentarista da CBS Sports, que não tem rabo preso com ninguém, deitou e rolou com as brincadeiras a respeito.
Também desagradável foi o bate-boca por escrito e os termos impróprios usados contra o assinante da ESPN que reclamou no Mural da emissora por não ter à disposição, como sempre, o áudio original, em inglês, na tecla SAP. No final, recebeu respostas conflitantes, não se sabe qual a verdadeira, e a promessa da produtora da casa, que intercedeu no final, para garantir que o assunto será levado à chefia da ESPN.
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