Da crise financeira e da pandemia à maior potência do golfe sênior sul-americano

17/11/2025

Como uma gestão eficiente e a austeridade administrativa permitiram à ABGS virar o jogo

Grego (centro), com a equipe tricampeão do Sul-Americano Sênior: domínio continental. Foto: Thais Pastor/F2 Assesoria

Assumir a direção de uma importante entidade esportiva é um desafio para qualquer um, sobretudo quando toda a equipe é formada por voluntários, que dedicam seu tempo apenas por amor ao esporte. Mas os desafios crescem exponencialmente quando você recebe a casa com um cofre vazio e uma dívida que imagina ser grande, mas sem a dimensão de até onde o rombo poderia chegar.

Foi o que aconteceu em janeiro de 2020, quando Constantino Ajimasto Júnior, o Grego, e sua diretoria assumiram o comando da ABGS (Associação Brasileira de Golfe Sênior), um grupo que permanece quase o mesmo até hoje, neste final de mandato. Em poucos dias no cargo, descobriu-se que a ABGS tinha uma dívida total de R$ 130 mil (R$ 170 mil em dinheiro de hoje), que ameaçava fechar a entidade e teria sido impossível de pagar se não fosse o socorro dos próprios associados.

Austeridade

A chamada da diretoria para que todos os sócios antecipassem o pagamento de suas anuidades permitiu fazer caixa para abrir negociação com os bancos e parcelar as dívidas. Passo seguinte, implantou-se uma grande austeridade administrativa, que começou dentro da própria casa. Primeiro, fechou-se o escritório em Curitiba, transferido para um virtual em São Paulo, e depois foi feita a rescisão do único empregado PJ.

A diretoria também contribuiu muito, sobretudo com o exemplo: a partir do início da gestão, nenhum dirigente teria qualquer tipo de despesas pagas – seja inscrição, alimentação, transporte ou hospedagem – para representar a ABGS em seus próprios eventos, ou nos de outra entidade. Todos deveriam pagar suas despesas como qualquer associado, o que ficou sacramentado até em estatuto.

O Susto da Pandemia

Retorno da pandemia com regras rígidas de distnaciamento social

Equacionada a dívida e com a casa em ordem, respirou-se aliviado e foram jogados os dois primeiros torneios de 2020, antes que acontecesse o impensável: a pandemia de coronavírus, decretada dia 13 de março, suspendeu imediatamente todas as atividades da entidade, formada quase que totalmente por pessoas de alto risco, com a grande maioria dos associados tendo de 55 anos em diante, vários mais de 80.

As competições só foram retomadas em outubro de 2020, junto com os demais torneios de golfe de São Paulo, com regras rígidas de uso de máscara e distanciamento social, além de limitação no número de jogadores, medição da temperatura de todos e exigência de atestado de vacina. E assim, sem o convívio social, talvez o maior atrativo da ABGS, conseguiu-se jogar apenas mais cinco torneios em 2020.

Recuperação e Reestruturação

Com a volta à quase normalidade na temporada de 2021, a diretoria da ABGS decidiu manter o valor das inscrições nos menores valores possíveis, o suficiente para cobrir green-fees, alimentação contratada nos clubes, troféus e organização. Isso permitiu atrair de volta muitos jogadores que haviam se afastado na pandemia e ainda ajudou a angariar cada vez mais novos sócios.

A partir daí, investiu-se muito para tornar os jogos mais rápidos, justos e prazerosos. A ABGS adotou várias práticas de sucesso utilizadas por sua parceira, a Federação Paulista de Golfe, passando a premiar os melhores resultados gross dentro das categorias, e apertou o controle dos handicaps, com a adoção em cada rodada do menor handicap index entre o oficial e o exclusivo de competições do jogador. E, mais recentemente, alterou-se as faixas de handicap, com a criação de uma quarta, o que ajudou a equilibrar a quantidade de golfistas em cada uma delas.

Expansão pelo Brasil

Com a concentração de muitos associados em São Paulo, investiu-se na reinserção ou criação de novos abertos estaduais, levando a ABGS a organizar eventos por todo o Brasil – oito estados este ano –, todos eventos de dois dias e muitas vezes em dois campos, o que tornou esses deslocamentos mais atrativos. Em 2025 houve jogos no DF, PR, RS, RJ, CE, BA e SP, que recebeu três eventos: o Aberto do Interior/Taça Caipira; o Torneio de Aniversário da ABGS; e o de Rio Pardo. Isso sem contar o Brasileiro Sênior, de três dias, normalmente no Rio, mas que excepcionalmente foi jogado em São Paulo, em 2025.

Ao mesmo tempo em que se experimentavam novas praças, deu-se prioridade a manter no calendário os torneios de maior adesão, levando os associados aos melhores clubes e campos do país, um diferencial da ABGS. Com isso, jogadores de fora de São Paulo passaram a jogar em mais abertos estaduais, ainda que como convidados, para degustar a ABGS, antes de se associar, com resultados acima do esperado.

O caso mais notável é o de Goiânia, que costuma inscrever até oito jogadores por etapa, mas chegará ao auge no Aberto do Bahia, em Trancoso, no final de novembro, para onde viajará com 15 jogadores, todos com as esposas. Mas houve resposta positiva em muitos outros estados, mostrando que o caminho é esse, ainda que precise de constantes correções de rumo. Graças a essas medidas, a ABGS cresceu de forma contínua e, não por acaso, o Brasileiro Sênior foi escolhido para ser o evento permanente de indução dos novos membros do Hall da Fama do Golfe Brasileiro, que tem sede no Campo Olímpico.

Internacional

Brasil no Mundial Sênior: delegações cada vez maiores e com melhores resultados

Muito se investiu também nos eventos internacionais, sejam de lazer, como a viagem a Portugal e Espanha, em abril, ou competições importantes, com a ABGS representando o Brasil nos campeonatos Mundial (Denver, EUA), Latino-Americano (Bucaramanga) e a cereja do bolo, o Sul-Americano Sênior, que voltou ao Brasil depois de 10 anos e foi jogado nos três campos de padrão internacional do Rio de Janeiro: Gávea, Itanhangá e Campo Olímpico. Todos eventos dos quais o Brasil participa com delegações cada vez maiores e com melhores resultados.

Mas o grande passo da atual gestão foi quando a ABGS assumiu o desafio de organizar, em outubro, no Rio de Janeiro, o maior Sul-Americano de todos os tempos – e também o maior evento de golfe já realizado no Brasil –, com 320 jogadores, quase todos com suas esposas, e grande staff, num total de 800 pessoas. E os resultados não poderiam ter sido mais gratificantes, dentro e fora do campo, tudo bancado por patrocinadores e apoiadores.

Tricampeão

Sob a gestão dessa diretoria vencedora, o Brasil já havia sido campeão sul-americano em 2022 e 2023, além de ser vice em 2024, mas, este ano, se superou. Levou a taça de campeão individual com Daniel Dias (RS), o tricampeonato por equipes, jogando ainda com Marcelo Stallone (RJ), Bruno Sá (RJ) e Roberto Gomez (SP), e o de campeão geral, na soma das dez Copas disputadas, feito que se deve a toda a delegação de 37 sócios da ABGS que participou do Sul-Americano. E a festa que se seguiu, encerrada por bateria, passistas e mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, foi digna da grandiosidade do evento.

A atual diretoria da ABGS encerra mais esta gestão em dezembro, com a certeza de ter mudado a história da entidade, que é hoje uma das mais respeitadas e admiradas do golfe e do esporte brasileiro em geral, e até mesmo fora do país. Assim como campos de golfe, entidades são seres vivos, em constante transformação e, em boas mãos, para melhor.

Crescimento

A ABGS é também hoje uma entidade sólida financeiramente, sempre atraindo novos parceiros comerciais, e encerrará 2025 com um caixa positivo, equivalente ao dobro da dívida que encontrou em 2020, preparada para continuar seu crescimento sustentado e a transformar eventuais novas adversidades que surjam em novos “cases” de sucesso.

Salgueiro com a bandeira do Sul-Americano Sênior: apoteose no Hotel Nacional, no RJ

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