28/11/2010
Inglês foi penalizado em uma tacada quando ia jogar para birdie no segundo buraco extra

Ian Poulter: moeda da sorte, com o nome dos filhos, não ajudou a escapar das Regras de Golfe
por: Ricardo Fonseca
As Regras do Golfe roubaram mais uma vez a cena antes do apagar das luzes da temporada de 2010. Desta vez, a vítima de uma regra “injusta”, que sobrevive no arcabouço legal do “Decisões sobre as Regras do Golfe”, foi o inglês Ian Poulter, que se preparava para dar o primeiro putt, para birdie, no segundo buraco do playoff contra o sueco Robert Karlsson, na decisão do Dubai World Championship, o torneio de encerramento da temporada européia, neste domingo.
Poulter, que vinha de uma vitória na semana anterior e se preparava para jogar antes do adversário, depois que ambos empataram com birdie o primeiro buraco extra, deixou a bola cair de sua mão quando se abaixava para recolocá-la no green. Até aí nada demais. Acontece que a bola caiu bem sobre a borda da moeda que ele usava para marcar a posição no green, e a moeda virou, saindo ligeiramente do lugar original. Penalidade: uma tacada, que resultou num bogey de Poulter, enquanto Karlsson fazia birdie para vencer o torneio e ganhar US$ 1,2 milhão, contra US$ 800 mil do adversário.
Decisão – A Andy McFee, o árbitro que acompanhava o grupo, não restou outra opção a não ser aplicar a lei, no caso a Decisão 20-1/15, que deixa claro que qualquer movimento acidental do objeto usado para marcar a bola, que ocorra antes ou depois do ato específico de marcar a bola, incluindo a queda da bola, de qualquer altura, não é considerado como diretamente atribuível ao ato de marcar a bola e implica na penalidade de uma tacada. Ou seja, o movimento de retirar ou recolocar a bola no green não faz parte do ato de marcar a bola.
Essa regra existe para evitar que jogadores desonestos dêem um jeito de “empurrar” sua marca para mais perto do buraco com a queda intencional de uma bola. O objetivo, louvável, é proteger todos os jogadores em campo, mas a decisão em si, convenhamos, é uma grande bobagem. Afinal, quem garante que o jogador desonesto tenha a habilidade de derrubar uma bola sobre sua moeda com a certeza de que ela vai se mexer para frente em vez de ir para o lado ou até para trás? Tente!
Comparação – Só para comparar, se um jogador marcar sua bola com uma moeda e, ao pressioná-la contra o chão com o putter, o que é permitido, a moeda grudar na parte de baixo do putter e ele só perceber quando estiver do outro lado do green, não há penalidade e a bola deve ser recolocada o mais perto possível de onde estava (Decisão 20-1/6). No caso de Poulter e outros semelhantes, sabia-se exatamente onde a bola estava, tanto o jogador, como seu marcador, como o árbitro, mas há penalidade.
Para o golfista familiarizado com as Regras do Golfe, a penalidade neste caso é uma coisa tão normal que ele nem pensa sobre ela. “Coisas do golfe”. Acontece que um dos princípios da Justiça é que a pena seja proporcional ao crime. E nesse caso nem crime houve. Não houve intenção, não houve beneficiado, só houve um prejudicado, Poulter, que fez o que qualquer golfista faria, chamou o árbitro e lhe explicou o que acontecera, sabendo, de antemão, que isso iria lhe custar o título.
Sorte – No caso de Poulter não se tratava de uma moeda qualquer. Poulter usa um ficha de platina com os nomes de seus três filhos gravados, o que ele considera usa moeda da sorte desde que mandou fazê-la no começo do ano. “Tudo aconteceu porque a bola caiu na borda da moeda e ela virou”, conta o desolado jogador. “Se a bola tivesse caído mais para o meio da moeda ela nem se mexeria e eu não seria penalizado”, lamenta Poulter, que promete continuar usando a “moeda da sorte”.
Karlsson soube da punição do adversário antes de jogar, mas não estava certo se a penalidade valeria. Só quando ele fez o par e Poulter foi lhe cumprimentar é que caiu a ficha. “Essa não é a forma pela qual você deseja vencer”, diz o sueco de 41 anos. “As regras existem por alguma razão, mas algumas são duras demais”.
Rory McIlroy, que perde o amigo, mas não a piada, escreveu em seu Twitter: “Pouts pode não ter vencido em Dubai, mas ele tem boas chances no mundial e tiddlywinks”. Tiddlywinks é um jogo infantil adotado pelos adultos ingleses em meados do século passado, onde o objetivo é virar fichas e fazer com que elas caiam sobre a dos adversários ou no centro de um tabuleiro. Regras britânicas, humor britânico.
Prejudicados – Infelizmente, em casos como este de Poulter e o da “banca” de Dustin Johnson no buraco final do PGA Championship, que lhe custou uma vaga no playoff, em vez de o esporte sair engrandecido aos olhos do grande público, ele perde pontos, por mais correta que tenha sido a aplicação da regra. Essa regra é ou já foi necessária? Ou ela inibe jogadores desonestos ou os pune certamente numa proporção infinitamente menor do que prejudica os jogadores honestos, a quem deveria defender?
Aos olhos do comum mortal apreciador de esportes em geral, aquele que todas as entidades do golfe mundial querem atrair agora que o golfe voltou a ser olímpico e precisa mais do que nunca de público em campo e na tevê para justificar investimentos bilionários, trata-se de um melindre difícil de entender. De uma discussão tão sem sentido e supérflua que afasta o torcedor ocasional ao impedir que o golfe de se dispa de suas roupagens elitistas. Talvez esteja mais do que na hora de o golfe adaptar suas regras ao mundo moderno e deixar todos perceber o quão interessante e emocionante é esse esporte.
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