Tolerância Zero! Penalidades por jogo lento custam caro a profissionais da elite

29/06/2021

Infrações resultaram em corte, eliminação e multas. Entenda o que dizem as Regras

Ciganda, Fassi e Yealimi: pagando caro pelo jogo lento. Montagem/AFRI

por | Ricardo Fonseca

Jogo lento é uma praga que precisa ser extirpada do golfe! Poucos discordam, mas muitos não se atentam no quanto contribuem pessoalmente para o jogo lento, especialmente em países como o nosso, onde a ociosidade dos campos na maior parte do tempo mascara o problema. O jogo lento acontece também no golfe profissional, mas lá pode doer no bolso, sobretudo no dos jogadores.

No PGA Tour é raro vermos jogadores penalizados por jogo lento, mas isso não quer dizer que os infratores saiam impunes. Além de multas nem sempre tornadas públicas, existe uma Lista de Jogadores Lentos do próprio PGA Tour, onde é incluído por 10 torneios seguidos todo aquele cuja média de tempo por tacada for de 45 segundos ou mais. Os jogadores da lista passam a ser acompanhados de perto e “colocados no relógio” quando necessário, até para evitar que eles recebam penalidades que começam com uma advertência, no primeiro “bad time”, e passam para uma tacada e multa de US$ 50 mil no segundo tempo excedido.

Está nas Regras – Na Regra 5.6b (Ritmo Célere de Jogo) existem recomendações que deveriam ser óbvias para todos: saber que sua lentidão vai atrapalhar a diversão e o jogo de seus parceiros e de todos atrás; dar passagem quando não conseguir manter o ritmo (não é vergonha, é respeito); estar preparado para dar sua tacada assim que o parceiro jogar; e mover-se prontamente entre tacadas e do green ao tee. A Regra 5.6b recomenda que se dê a tacada em não mais de 40 segundos e ressalta que esse é o limite máximo, mas que se pode jogar com calma em bem menos tempo do que isso.

É importante saber que as Regras de Golfe em vigor há mais de dois anos instituíram o “Ready Golf“, ou seja, joga quem está pronto; não é preciso esperar sua vez para jogar (no stroke play). Desde que, é claro, se faça isso com segurança e sem atrapalhar os demais. Quantas vezes você varou o green e os adversários, já com a bola marcada, ficaram esperando você ir trocar de taco, contornar o green e só então jogar?

Penalidade – A Regra 5,6b(3) deixa clara que a Comissão “deveria” (destaque nosso) estabelecer uma Regra Local determinando uma Política de Ritmo de Jogo, como um tempo máximo para completar uma volta, parte dela, buraco ou tacada, e que pode estabelecer penalidades em caso de descumprimento do estabelecido, como descrito nos Procedimentos da Comissão, Seção 5G (recomendações sobre o conteúdo da Política de Ritmo de Jogo).

Bem, no PGA Tour ou LPGA Tour, que adotam nas Regras Locais essa política de Jogo Lento e penalidades, há um pequeno exército de árbitros para cuidar disso. Aqui, são um ou dois, que têm que cobrir o campo todo, e isso quando há árbitros. Assim fica difícil ficar colocando gente “no relógio”. Por isso não se estabelece penalidade para jogo lento. Cabe ao árbitro apenas advertir e pedir ao grupo ou à “tartaruga” dentro dele para andar mais rápido.

Desculpas e Responsabilidades – Mas basta advertir um jogador ou um grupo por jogo lento para se ouvir a resposta tão obtusa, quando predominante: “mas não tem ninguém atrás!”. Entenda de uma vez por todas que a obrigação do grupo é não perder o contato com o grupo da frente, e não com o de trás. Por mais óbvio que isso seja – se cada um se guiar pelo grupo de trás o jogo ficará cada vez mais lento, como uma engrenagem andando ao revés –, isso não entra na cabeça de muita gente. Vai ver que o grupo de trás até parou um pouco por estar cansado de esperar você jogar!

Mas, todos sabemos, a culpa do Jogo Lento não é exclusiva dos jogadores. Nos Procedimentos da Comissão da Seção 5G, recomenda-se que cabe à própria Comissão adotar práticas para o jogo fluir mais rápido, como reduzir o tamanho dos grupos, aumentar o intervalo de saída e introduzir tempos de starter. A Comissão deve ainda  “considerar mudanças fundamentais na preparação do campo como: alargar os fairways, reduzir a espessura ou comprimento do rough, ou reduzir a velocidade dos greens”. A dificuldade do campo tem que ser compatível com quem vai jogar.

Cortada do Major – Muitos dos melhores do mundo sentem na pele as penalidades por jogo lento, em especial no LPGA Tour, que declarou tolerância zero a essa praga que corrói o prazer do golfe. Isso aconteceu na última semana, justamente no Women’s PGA Championship, um dos majors do golfe feminino mundial. A mexicana Maria Fassi, de 23 anos, começou o segundo dia no Atlanta Athletic Club animada com sua recuperação após perder quase dois meses por causa de uma cirurgia no joelho. Ao voltar ao circuito, ela passou apenas um corte em sete torneios. Por isso, jogava com convite dos organizadores, uma oportunidade raríssima!

Tudo ia bem até o segundo tiro no 18 (seu nono buraco do dia), um par 5 curto. Em dúvida entre tacos para as 180 jardas, com água até as 167 jardas, e com muito vento, passou o debater com o caddie o que fazer. Levou 50 segundos para jogar, 20 a mais do que os 30 que lhe eram facultados por não ser a primeira do grupo a jogar. Excedeu também o tempo da tacada seguinte e o total para o buraco. Levou duas tacadas de penalidade, viu seu 75 virar um 77 e perdeu o corte por uma! Num major onde jogava como convidada! Saiu furiosa. Espera-se que tenha aprendido.

Derrota e eliminação – A penalidade por jogo lento doeu também para a espanhola Carlota Ciganda. Ela venceu seu jogo de estreia no LPGA Match Play, em maio, para Sarah Schmelzel, por 1 up (chegaram empatadas ao buraco final), mas foi penalizada por jogo lento no 18, o que virou o placar: perdeu o buraco e o jogo por 1 down. Com mais um empate e uma derrota na fase de Round Robin, não passou para a fase de jogos eliminatórios. Não são jogadoras quaisquer: Fassi e Ciganda acabam de se classificar para os Jogos de Tóquio.

Também neste ano, no LPGA Kia Classic, em março, Yealimi Noh, coreana de 19 anos, nascida na Califórnia (tem dupla nacionalidade), saiu no prejuízo de Rancho Mirage, na Califórnia. Ela recebeu “bad times” nos buracos 10 e 12, foi penalizada em duas tacadas, terminou em 61º lugar e levou um cheque de US$ 4.247. Só que também recebeu uma multa de US$ 10 mil, por ser reincidente (levara penalidade e multa em seu jogo de estreia no LPGA, em 2020, ainda a mesma temporada). Perdeu US$ 5.753 no torneio. No mesmo evento, a americana Robynn Ree levou duas tacadas por jogo lento e perdeu o corte.

Calma! – Para respeitar o ritmo de jogo, seus parceiros e os demais jogadores não é preciso sair batendo na bola atabalhoadamente. A maior parte do tempo é perdida em não estar pronto para bater logo após o parceiro, tanto no tee como nas demais áreas de jogo. Vá pensando no que fazer e escolhendo o taco enquanto o outro joga. Perde-se muito tempo também em ficar discutindo quantas tacadas deu ainda no green ou perto dele, atrapalhando quem vem atrás.

Se você joga compartilhando o cart, o cuidado tem que ser redobrado. Nessas condições, é comum demorar mais para jogar dos que estão a pé! Quem não é o primeiro a jogar deve deixar o parceiro na bola dele, com os tacos que o outro porventura usará, e seguir para a sua própria bola. Depois que ambos baterem, recolha o parceiro que já deve estar caminhando para você.

A soma desses “pequenos” tempos vai garantir que todos tenham mais tempo para desfrutar do “19”, assim que a pandemia permitir. Aproveitando, use máscaras (corretamente colocada) nas áreas comuns do clube, mantenha o distanciamento também dentro do campo e peça para que seu caddie use máscara, para proteção dele e dos demais. Bom jogo!

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